Com estoque cheio e safra mundial maior, arroz enfrenta queda nos preços
Decisão dos produtores em priorizar contratos externos pode gerar efeitos colaterais
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Mesmo com menor disponibilidade imediata, o mercado de arroz em casca segue com preços pressionados no Rio Grande do Sul. Segundo dados divulgados pelo Cepea, essa limitação está relacionada à priorização dos contratos de exportação por parte dos produtores, o que reduz a disponibilidade interna no momento. Apesar desse cenário momentâneo, fatores estruturais indicam ampla oferta ao longo da cadeia nos próximos meses. O Cepea ainda destaca que os estoques iniciais mais elevados no Brasil, aliados às projeções de crescimento da produção e do comércio global, têm influenciado negativamente os preços.
De acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de arroz beneficiado deve atingir 541,16 milhões de toneladas em 2025/26. Além disso, os embarques globais estão projetados em 62,8 milhões de toneladas, um aumento de 5,2% em relação à temporada anterior.
Essa expectativa de crescimento na oferta global reforça a tendência de pressão sobre os preços internos, especialmente no maior estado produtor brasileiro, o Rio Grande do Sul. A conjunção entre fatores internacionais e estoques domésticos mais cheios limita a reação do mercado, mesmo com menor volume disponível no curto prazo.
Outro ponto levantado pelo Cepea é que a decisão dos produtores em priorizar contratos externos pode gerar efeitos colaterais nos preços internos, mas também funciona como uma estratégia de rentabilidade frente à competição global.